Avaliação Neuropsicológica: alguns esclarecimentos

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Neste texto pretendo esclarecer questionamentos frequentes de pessoas que recebem um encaminhamento para fazer uma avaliação neuropsicológica e também de pessoas que leem e se interessam pelo assunto. A Neuropsicologia é uma especialidade da Psicologia, que se dedica ao estudo das funções cognitivas e comportamentais processadas pelo nosso sistema nervoso central que são cruciais para a produção de comportamentos e para o desenvolvimento humano global. Por tratar-se de uma especialidade recente no Brasil, reconhecida oficialmente em 2004, a Neuropsicologia ainda é uma área pouco conhecida e divulgada.

A todo instante, estamos em interação constante com estímulos do mundo externo e interno que são processados em diversos níveis pelo nosso sistema nervoso e especialmente pelo nosso cérebro. Para produzir qualquer comportamento, precisamos ter:

– intactas habilidades de recepção de informações pelos processos sensoriais e perceptuais;

– nível atencional adequado para captar estímulos e selecionar aqueles que são relevantes, manter a concentração ao longo do tempo e alternar entre tarefas e estímulos necessários.

– boas habilidades de memória de curto e longo prazo, para aprender novas informações e resgatar dados e habilidades já armazenadas em outros momentos.

– recursos de planejamento, organização e execução chamados conjuntamente de funções executivas. Referem-se a diversas habilidades necessárias para o controle cognitivo e comportamental que nos permitem alcançar metas em situações complexas.

– habilidades de raciocínio diversas que, agrupadas, constituem na nossa inteligência geral. O comportamento inteligente nos permite resolver problemas diversos e a adaptação cognitiva e comportamental.

–  habilidades motoras globais e finas que possibilitam a manipulação de objetos e a expressão precisa de nosso processamento cognitivo, pois todos os nossos comportamentos são expressos por movimentos, principalmente pela fala e pela escrita.

– nível adequado de cognição social, constituída por habilidades receptivas, analíticas e expressivas de estados emocionais próprios e de outras pessoas durante as diversas interações pessoais que temos no dia a dia.

No âmbito clínico, neuropsicólogos fazem diagnósticos e intervenções ou reabilitações de pacientes que possuem déficits em funções cognitivas e comportamentais que podem decorrentes de algum transtorno do neurodesenvolvimento, quadro psiquiátrico, lesão neurológica ou de processos degenerativos do envelhecimento.

O momento oportuno para buscar um neuropsicólogo geralmente é aquele no qual uma pessoa manifesta algum atraso de desenvolvimento ou dificuldades e queda de desempenho em habilidades ou em atividades que exijam constantemente das funções cognitivas.

Atualmente, as diretrizes científicas e técnicas para o diagnóstico de problemas psicológicos e comportamentais incluem obrigatoriamente o trabalho multi e interdisciplinar, no qual diversas áreas de conhecimento são importantes com suas avaliações específicas para o mapeamento de diversos fatores preservados e alterados que podem causar dificuldades.

 Por este motivo, a avaliação neuropsicológica pode ser indicada por algum profissional da saúde (médico, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional entre outros) ou da educação (psicopedagogo, professor, equipe pedagógica). Também ser realizada por busca espontânea do paciente ou seus responsáveis.

No contato inicial, o neuropsicólogo investiga o motivo da avaliação, esclarecemos as etapas do processo e define, horários, agendamentos e custos.

A entrevista inicial, feita com o próprio paciente ou seus responsáveis legais, tem como objetivo coletar diversas informações sobre a história atual e passada do paciente e seu desenvolvimento cognitivo e comportamental. O neuropsicólogo verifica em quais contextos as dificuldades ocorrem e são mais significativas, como as dificuldades se manifestam e quais são as estratégias utilizadas até o momento para lidar com a situação problema. O profissional pode aplicar algumas escalas e inventários de comportamentos e solicitar envio de algumas destas escalas para outras pessoas (profissionais da escola, por exemplo). A partir deste mapeamento, uma bateria de instrumentos de avaliação é planejada para a investigação precisa do perfil cognitivo e comportamental.

Nas sessões de testagem, o paciente é convidado a realizar entrevistas, atividades e testes diversos. Os testes podem envolver uso de lápis e papel para registro de respostas, manipulação de objetos, habilidades de compreensão e expressão linguística e registro de tempo de execução. Com crianças, frequentemente é necessário o uso de recursos lúdicos para promover melhores condições de interação e acesso aos recursos cognitivos destes pacientes. Inclusive, a neuropsicologia tem evoluído para desenvolver testes adequados e sensíveis para avaliação de crianças pré-escolares e, por este motivo, crianças a partir dos dois anos e meio de idade já podem ser atendidas de modo a detectar e intervir precocemente em funções cognitivas que podem apresentar atraso de desenvolvimento.

Após correções e análise cuidadosa de todas as informações da avaliação, é elaborado um laudo neuropsicológico com a hipótese diagnóstica do perfil cognitivo e comportamental. A partir dos resultados, uma série de orientações são elaboradas e um plano de tratamento pode ser indicado para o desenvolvimento de recursos e habilidades cognitivas.

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